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Aspectos culturais
e artísticos inerentes ao modelismo die-cast.
(Considerações
sobre os fatores que me motivaram)
C. L.
G. Júnior
Sendo
eu um profundo apreciador das saudáveis atividades relacionadas
ao colecionismo lato sensu, em diversas ocasiões em que tive oportunidade
de discutir com pessoas interessadas nos aspectos artísticos, educativos
e culturais envolvidos nas mesmas, pude observar que em relação
às coleções de miniaturas com liga de metal (ZAMAC)
em escala, do tipo die-cast, existe um desconhecimento quase generalizado
acerca da sua importância.
Desnecessário
se faz salientar os positivos aspectos lúdicos e emocionais envolvidos
com o colecionismo, que são do conhecimento geral, contudo, esta
atividade presta-se, outrossim, como uma legítima terapia ocupacional
que proporciona diversificadas maneiras de intercâmbio entre aficionados,
podendo ser considerado, no mínimo, como um verdadeiro bálsamo
espiritual contra o taedium vitae.
No que
concerne aos aspectos artísticos, educacionais e técnicos
envolvidos neste tipo de cultura, cabe destacar, primeiramente e acima
de tudo, sua validade como registro histórico da evolução
das máquinas, verdadeiras extensões do corpo e dos sentidos
humanos, que como se observou no contexto biológico, onde as criaturas
vivas se foram adaptando às condicionantes pertinentes aos contextos
ambientais em que viviam, as máquinas também evoluíram
no sentido da otimização de seu desempenho, face às
exigências, cada vez mais sofisticadas de seus criadores e dos usuários,
especialmente no que se refere ao conforto dos passageiros, ao apuro estético,
à facilidade de manutenção, à praticidade na
operação, à economia, bem como aos aspectos físicos
referentes à segurança, à medida que velocidades maiores
foram sendo alcançadas e incorporadas ao cotidiano.
Naturalmente,
algum preparo formal ou cultural é necessário para que se
manifeste o gosto por algum tipo de coleção, e o modelismo,
modalidade de colecionismo de que trata este arrazoado não é
uma exceção. Assim, apresento aqui num relato, de forma sucinta,
a seqüência de fatores que culminaram com a adoção
por mim desta atividade, assim como considerações sobre os
principais aspectos que determinam sua importância.
Já
em minha infância, na década de 1950, tive meu primeiro contato
com uma miniatura em escala. Recebi de meus pais como presente de Natal,
algo que a meus olhos se afigurava como mágico!!!... Uma maravilhosa,
fielmente reproduzida e detalhadíssima locomotiva alemã Marklin
- uma enorme e pesadíssima réplica elétrica de máquina
a vapor (aproximadamente 10kg), com respeitáveis 60cm de comprimento
(fora o tender que tinha cerca de 25cm), acompanhada de seus demais vagões
eletricamente iluminados. Uma legítima obra de arte que atualmente
se constitui numa verdadeira relíquia.
Numa fase
posterior, concomitantemente com o segundo grau, estudei propaganda e publicidade,
num curso especializado promovido pela Fundação Getúlio
Vargas, onde assimilei técnicas, aperfeiçoei noções
artísticas e desenvolvi um senso analítico-crítico
mais apurado. Posteriormente, trabalhei como designer de carrocerias de
veículos a serem executadas em fiberglass, quando interagi mais
direta e intimamente com o processo evolutivo supracitado, razão
pela qual, afeiçoei-me bastante ao design e a história dos
automóveis, tendo então desenvolvido maior capacidade de
observação dos detalhes, de modo a apreciar, em toda sua
plenitude, a arte necessária para confeccionar os modelos em escala,
bem como os detalhes que lhes são intrínsecos.
Em decorrência
dos fatos acima mencionados, iniciei, há muitas décadas,
coleções das revistas Quatro Rodas e Autoesporte (ambas a
partir do primeiro número), de modo a manter-me atualizado acerca
dos diversos aspectos inerentes à evolução dessas
máquinas fabulosas. Embora seja indiscutível o valor documental
daquelas coleções, essas vieram a atingir um volume considerável,
o que, juntamente com o temor de perdê-las para um ataque de cupins,
tornou inviável sua manutenção em minha casa. Em decorrência
desse fato, eu as doei às diversas pessoas que manifestaram interesse
em mantê-las ou utilizá-las.
Por ser
um amante da engenharia, da arte e da cultura, decidi estudar arquitetura,
razão pela qual inúmeras vezes tive que adquirir miniaturas,
em sua maioria nas escalas HO ou menores, porquanto delas necessitava para
elaborar um sem número de maquetes para representação
de empreendimentos imobiliários. Tendo já um número
considerável desses modelos, confirmei minha primeira impressão,
de que por se tratar de representações tridimensionais, eles
apresentavam enormes vantagens sobre os registros fotográficos bidimensionais
dos veículos ilustrados nas referidas publicações.
Embora fossem bastante fartas e de excelente qualidade, as fotografias
freqüentemente não nos permitiam apreciar os corpos dos automóveis
como um todo integrado, forçando-nos, muitas vezes, a exercícios
de imaginação para intuir sua conformação geral.
Assim,
tendo em mente os fatos acima mencionados, constituí ao longo de
muitos anos um belo acervo, que naturalmente é também um
patrimônio cultural que legarei à minha família. Atualmente,
dedico-me mais especialmente aos modelos de automóveis em escala
1:18, por considerá-los mais ricos em detalhes. Minha coleção
ilustra perfeitamente a evolução destas máquinas através
dos tempos, apresentando principalmente os modelos clássicos que
constituem os marcos mais representativos da história automobilística
mundial.
Nota do DCC
Team:
O colecionador Celso L. Godinho Júnior é membro da
Academia Brasileira de Letras, Artes e Ciências (ALAC), ocupando
a cadeira nº 07. É também detentor do Prêmio de
Cultura 1994 outorgado pelo Lions Internacional, além disso, é
nosso consultor para o tema automobilismo e revisor de textos da DCCvm.
Recentemente, lhe foi concedida a Comenda do Mérito Científico
2000. Sua coleção die-cast conta com mais de 450 modelos,
só na escala 1/18! |
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