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“Simple-hobbyists” e “cult-hobbyists”,
duas faces da mania de colecionar
A. Soares
Há algum tempo, nas minhas horas vagas, venho
desenvolvendo o passatempo de colecionar modelos de autos em escala e feitos em
liga metálica de ZAMAC. Ao contatar a comunidade die-cast notei, que existe uma
dualidade dentro desta tribo urbana de hobbistas, na qual me incluo. Ficou claro
para mim, a existência de um universo de colecionadores reunidos
pelo hobby (die-cast), mas divididos pelo objetivo que dão ao seu
colecionismo.
Existe,
assim, o grupo dos que acham mais importante o ato de reunir um grande
patrimônio e os do que dividem esta meta com o prazer da integração
social que este hobby proporciona.
Os primeiros,
passam todo o tempo investindo em suas coleções, procurando
expandi-las, o que é normal até certo ponto, porém,
não medem esforços para fazê-lo. Nesta obsessão
desmedida, vão às vezes ao cúmulo da falta de escrúpulos
com colegas e até com seus amigos. São os que chamo de “simple-hobbyists”
ou em nossa língua, colecionadores simplórios!
Acredito
(até que provem o contrário), que na grande maioria dos casos,
os “simple-hobbyists”, agem assim, não por maldade e sim, pela ânsia
subconsciente de gigantismo. Eles buscam sempre constituir uma coleção,
e os frutos que advenham dela, são usufruídos exclusivamente para
si. Passam, muitas vezes, agindo sem sentir, a prejudicar, além
dos companheiros, também a imagem do grupo que pratica o hobby.
E como fruto desta política, colecionam como se fossem senhores
feudais lacrados em seu castelos, não gerando nenhuma interação,
o que estabelece um colecionismo egoísta e injustificável
que, conseqüentemente, impede um intercâmbio cultural.
Em resumo,
os “simple-hobbyists” são tão obstinados em ter uma maior e
melhor coleção, que a dos outros, que acabam isolados e com
isto, implodem qualquer possibilidade de intercâmbio, que conferiria
uma importância mais nobre e social para seus investimentos no passatempo.
Outro grupo
de colecionadores, infelizmente menor, é dos “cult-hobbyists”, ou
em português, colecionadores culturais. Aqui, apesar de também
existir uma vontade de ampliação do patrimônio, ela
fica igualada à necessidade de integração e divulgação
que esta categoria de colecionadores julga ser importante.
A conseqüência
desta integração, é o intercâmbio, a camaradagem,
a organização em grupos (clubes, grêmios, associações
etc...), para conversas e elaboração de eventos (reuniões,
concursos etc...). Deste intercâmbio nasce um movimento cultural
que, por sua vez, contribui para desmistificar (em nosso caso os termos mais
corretos seriam “desinfantilizar”, “desbesteirizar” e racionalizar),
a concepção que a sociedade tem a cerca desta atividade.
Mas atenção!
Antes que você leitor tire qualquer conclusão, do tipo “aquele
fulano se enquadra neste grupo ou naquele grupo” (uso o exemplo na terceira
pessoa, pois, dificilmente alguém gosta de se auto-avaliar),
é importante relatar, que ao delinearmos estes dois arquétipos
a profissionais, como antropólogos, psicólogos e médicos,
ouvimos quase unanimemente, que a análise psicológica de
uma comunidade de colecionadores revela que seus indivíduos, seres
humanos sujeitos a paixões e caprichos, são o somatório
de ambos os arquétipos. Logo, normalmente, nós die-cast hobbistas
não escapamos a isto. Sendo assim, transitamos como simples mortais
entre os “simple-hobbyists” e os “cult-hobbyists”.
Finalizando, podemos concluir que é importante um
esforço diário, aplicado dentro e fora do universo hobbista, sempre nos espelhando na
nossa faceta “cult-hobbyists”, para com isto, obtermos uma melhor socialização
de nosso hobby, que gerará, com certeza, um importante produto cultural,
pilar para um melhor reconhecimento por parte da sociedade, do die-cast
hobby.
Nota do autor: Este texto, guardadas as
proporções, é válido para qualquer grupo hobbista, seja ele de colecionadores de
espécimes naturais (ex.
de insetos) ou de exemplares materiais (ex. selos).
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