Revista de conteúdo perene, voltada para os colecionadores de miniaturas de metal. Apoio Cultural:

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Aspectos Culturais 03

 

 

 

“Simple-hobbyists” e “cult-hobbyists”, duas faces da mania de colecionar

 

A. Soares

 

Há algum tempo, nas minhas horas vagas, venho desenvolvendo o passatempo de colecionar modelos de autos em escala e feitos em liga metálica de ZAMAC. Ao contatar a comunidade die-cast notei, que existe uma dualidade dentro desta tribo urbana de hobbistas, na qual me incluo. Ficou claro para mim, a existência de um universo de colecionadores reunidos pelo hobby (die-cast), mas divididos pelo objetivo que dão ao seu colecionismo.

 

Existe, assim, o grupo dos que acham mais importante o ato de reunir um grande patrimônio e os do que dividem esta meta com o prazer da integração social que este hobby proporciona.

 

Os primeiros, passam todo o tempo investindo em suas coleções, procurando expandi-las, o que é normal até certo ponto, porém, não medem esforços para fazê-lo. Nesta obsessão  desmedida, vão às vezes ao cúmulo da falta de escrúpulos com colegas e até com seus amigos. São os que chamo de “simple-hobbyists” ou em nossa língua, colecionadores simplórios!

 

Acredito (até que provem o contrário), que na grande maioria dos casos, os “simple-hobbyists”, agem assim, não por maldade e sim, pela ânsia subconsciente de gigantismo. Eles buscam sempre constituir uma coleção, e os frutos que advenham dela, são usufruídos exclusivamente para si. Passam, muitas vezes, agindo sem sentir, a prejudicar, além dos companheiros, também a imagem do grupo que pratica o hobby. E como fruto desta política, colecionam como se fossem senhores feudais lacrados em seu castelos, não gerando nenhuma interação, o que estabelece um colecionismo egoísta e injustificável que, conseqüentemente, impede um intercâmbio cultural.

 

Em resumo, os “simple-hobbyists” são tão obstinados em ter uma maior e melhor coleção, que a dos outros, que acabam isolados e com isto, implodem qualquer possibilidade de intercâmbio, que conferiria uma importância mais nobre e social para seus investimentos no passatempo.

 

Outro grupo de colecionadores, infelizmente menor, é dos “cult-hobbyists”, ou em português, colecionadores culturais. Aqui, apesar de também existir uma vontade de ampliação do patrimônio, ela fica igualada à necessidade de integração e divulgação que esta categoria de colecionadores julga ser importante.

 

A conseqüência desta integração, é o intercâmbio, a camaradagem, a organização em grupos (clubes, grêmios, associações etc...), para conversas e elaboração de eventos (reuniões, concursos etc...). Deste intercâmbio nasce um movimento cultural que, por sua vez, contribui para desmistificar (em nosso caso os termos mais corretos seriam “desinfantilizar”, “desbesteirizar” e racionalizar), a concepção que a sociedade tem a cerca desta atividade.

 

Mas atenção! Antes que você leitor tire qualquer conclusão, do tipo “aquele fulano se enquadra neste grupo ou naquele grupo” (uso o exemplo na terceira pessoa, pois, dificilmente alguém gosta de se auto-avaliar),  é importante relatar, que ao delinearmos estes dois arquétipos a profissionais, como antropólogos, psicólogos e médicos, ouvimos quase unanimemente, que a análise psicológica de uma comunidade de colecionadores revela que seus indivíduos, seres humanos sujeitos a paixões e caprichos, são o somatório de ambos os arquétipos. Logo, normalmente, nós die-cast hobbistas não escapamos a isto. Sendo assim, transitamos como simples mortais entre os “simple-hobbyists” e os “cult-hobbyists”.

 

Finalizando, podemos concluir que é importante um esforço diário, aplicado dentro e fora do universo hobbista, sempre nos espelhando na nossa faceta “cult-hobbyists”, para com isto, obtermos uma melhor socialização de nosso hobby, que gerará, com certeza, um importante produto cultural, pilar para um melhor reconhecimento por parte da sociedade, do die-cast hobby.

 

Nota do autor: Este texto, guardadas as proporções, é válido para qualquer grupo hobbista, seja ele de colecionadores de espécimes naturais (ex. de insetos) ou de exemplares materiais (ex. selos).

 

 

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