Revista de conteúdo perene, voltada para os colecionadores de miniaturas de metal. Apoio Cultural:

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Aspectos Culturais 05

 

 

 

Isso é coisa de maluco, meu filho

 

S. L. dos Santos

 

Quantas vezes você ouviu, ou ainda ouve esta frase?

 

Será mesmo o “vício” ou prazer de colecionar, um ato para malucos ou quem não tem nada melhor para fazer? Antes de dar sua opinião, que tal fazermos uma volta ao nosso passado?

 

Lembra quantos brinquedos você tinha? Certamente, alguns podem não ter tido tantos assim, mas façamos de conta que é uma figura de retórica então. Não teria sido essa sua primeira coleção? Ou a coleção de agrados e mimos? Você vai para a escola e começa outras coleções. Uma coleção de brincadeiras, uma coleção de amigos, uma coleção de coisas estranhas chamadas letras e números, que formam então a escrita. Uma coleção extasiante de descobertas de medos. Vêm então os primeiros livros, que são coleções de saberes e ensinamentos. E estes mesmos livros, formam uma coleção ainda maior, a Biblioteca. Com as coleções de figurinhas temos os nossos primeiros álbuns. Crescemos, temos então as enciclopédias, tão essenciais e depois tão esquecidas... E continuamos a colecionar conhecimentos.

 

A quantos museus você já foi e se perguntou quantos loucos foram necessários para guardar todos aqueles objetos tão cuidadosamente, por tantos anos, para que você hoje os possa ver? E as Pinacotecas, Filmotecas, tantos nomes para diferentes coleções.

 

Não importará a qual tipo de coleção você se dedica, ela será sempre um ponto de partida para um mundo infindável de descobertas. Não é comum os colecionadores se reunirem para troca de materiais, informações ou simplesmente partilharem seus achados? Numismática, Medalhística e tantos outros nomes para diferentes gostos e desejos. Cada coleção é uma pequena ponta de uma grande teia chamada história. Podemos conhecer a história de uma cidade, de um País, de uma civilização, tudo através de diferentes coleções, seus escritos, móveis, roupas, pinturas, costumes, tantas coleções e você nunca havia pensado nisso!!

 

Quando escrevo um trabalho sobre aviação, recorro a muitas coleções. Minha coleção de livros, minha “coleção” de amigos e correspondentes, minha coleção de fotografias, envelopes, selos e cartões postais. Algumas vezes vou a diferentes museus para pesquisar suas coleções de livros, jornais, revistas, fotografias e mesmo o acervo de aeronaves.

 

Colecionar é o início de um caminho fascinante para o aprendizado humano. Quando seu filho começar a guardar coisinhas, não as jogue fora. Tente compreender o significado. Eu ainda lembro de meus álbuns de figurinhas, da coleção de caixas de fósforos e de maços de cigarros, de chaveiros, com muitas saudades a de fichas de ônibus, a de antigos suplementos de automóveis que vinham em jornais, a de adesivos, a de plásticos. Bobeira? Não terá você por acaso uma inocente coleção de imãs de geladeira em sua casa? Uma coleção de CDs com jogos ou músicas? Uma coleção de relógios, santinhos ou canetas?  Será que só é “normal” quem tem coleções temáticas sobre o futebol?

 

Nunca passaria por mim tentar compreender esta faceta do ser humano - o prazer de guardar. Eu jamais desdenho de qualquer tipo de coleção, por mais estranha ou exótica que possa ser. Tenho, é claro, uma certa prevenção quanto aos que colecionam espécimes animais que tiveram de ser sacrificadas para se tornarem parte de uma coleção. Mas este é um sentimento meu, que pode ser partilhado ou não por muitos outros. Deixo claro também, que este procedimento, o sacrifício de animais para fins científicos, é muitas vezes o preço que se tem que pagar pelo saber e para que melhor conheçamos as espécies que precisam ser preservadas.

 

Falando objetivamente sobre colecionar miniaturas de automóveis die-cast, como em qualquer outro tema, é difícil dizer quantas pessoas conheci, quantas amizades fiz, quanta pesquisa foi necessária para se obter um determinado modelo, ou para ficar por dentro dos novos lançamentos.

 

Quando vejo pessoas mais idosas que não têm absolutamente nada para fazer ao se aposentarem, fico pensando em como devem ser vazias e tristes estas vidas, sem assuntos, sem desafios, sem maiores objetivos que não o de esperar complacentemente o tempo passar. Nós, os colecionadores, teremos sempre alguma coisa para ver e tocar, pessoas para ouvir e conversar, lugares para visitar e conhecer, histórias para contar. Não tenha medo de suas coleções, sempre haverá mais alguém que goste do mesmo assunto, e quando você descobrir não ser o único, junto com um grande sorriso poderá estar iniciando uma nova coleção de amigos. Mas enquanto esta hora não chega, se tiver muita sorte, pode fazer como eu, abrir antigos álbuns e lembrar o seu passado e o de sua família, através de uma coleção de antigas fotografias em branco e preto. Viu só como uma inocente coleção pode até te fazer chorar?

 

Nota do DCC Team: O colecionador Sergio Luis dos Santos é o nosso redator e integrante essencial da nossa equipe, onde contribui com suas pesquisas sobre o tema die-cast.

 

 

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