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Isso é coisa de maluco, meu filho
S. L.
dos Santos
Quantas vezes você ouviu, ou ainda ouve esta frase?
Será
mesmo o “vício” ou prazer de colecionar, um ato para malucos ou
quem não tem nada melhor para fazer? Antes de dar sua opinião,
que tal fazermos uma volta ao nosso passado?
Lembra
quantos brinquedos você tinha? Certamente, alguns podem não
ter tido tantos assim, mas façamos de conta que é uma figura
de retórica então. Não teria sido essa sua primeira
coleção? Ou a coleção de agrados e mimos? Você
vai para a escola e começa outras coleções. Uma coleção
de brincadeiras, uma coleção de amigos, uma coleção
de coisas estranhas chamadas letras e números, que formam então
a escrita. Uma coleção extasiante de descobertas de medos.
Vêm então os primeiros livros, que são coleções
de saberes e ensinamentos. E estes mesmos livros, formam uma coleção
ainda maior, a Biblioteca. Com as coleções de figurinhas
temos os nossos primeiros álbuns. Crescemos, temos então
as enciclopédias, tão essenciais e depois tão esquecidas...
E continuamos a colecionar conhecimentos.
A quantos
museus você já foi e se perguntou quantos loucos foram necessários
para guardar todos aqueles objetos tão cuidadosamente, por tantos
anos, para que você hoje os possa ver? E as Pinacotecas, Filmotecas,
tantos nomes para diferentes coleções.
Não
importará a qual tipo de coleção você se dedica,
ela será sempre um ponto de partida para um mundo infindável
de descobertas. Não é comum os colecionadores se reunirem
para troca de materiais, informações ou simplesmente partilharem
seus achados? Numismática, Medalhística e tantos outros nomes
para diferentes gostos e desejos. Cada coleção é uma
pequena ponta de uma grande teia chamada história. Podemos conhecer
a história de uma cidade, de um País, de uma civilização,
tudo através de diferentes coleções, seus escritos,
móveis, roupas, pinturas, costumes, tantas coleções
e você nunca havia pensado nisso!!
Quando
escrevo um trabalho sobre aviação, recorro a muitas coleções.
Minha coleção de livros, minha “coleção” de
amigos e correspondentes, minha coleção de fotografias, envelopes,
selos e cartões postais. Algumas vezes vou a diferentes museus para
pesquisar suas coleções de livros, jornais, revistas, fotografias
e mesmo o acervo de aeronaves.
Colecionar
é o início de um caminho fascinante para o aprendizado humano.
Quando seu filho começar a guardar coisinhas, não as jogue
fora. Tente compreender o significado. Eu ainda lembro de meus álbuns
de figurinhas, da coleção de caixas de fósforos e
de maços de cigarros, de chaveiros, com muitas saudades a de fichas
de ônibus, a de antigos suplementos de automóveis que vinham
em jornais, a de adesivos, a de plásticos. Bobeira? Não terá
você por acaso uma inocente coleção de imãs
de geladeira em sua casa? Uma coleção de CDs com jogos ou
músicas? Uma coleção de relógios, santinhos
ou canetas? Será que só é “normal” quem tem
coleções temáticas sobre o futebol?
Nunca passaria
por mim tentar compreender esta faceta do ser humano - o prazer de guardar.
Eu jamais desdenho de qualquer tipo de coleção, por mais
estranha ou exótica que possa ser. Tenho, é claro, uma certa
prevenção quanto aos que colecionam espécimes animais
que tiveram de ser sacrificadas para se tornarem parte de uma coleção.
Mas este é um sentimento meu, que pode ser partilhado ou não
por muitos outros. Deixo claro também, que este procedimento, o
sacrifício de animais para fins científicos, é muitas
vezes o preço que se tem que pagar pelo saber e para que melhor
conheçamos as espécies que precisam ser preservadas.
Falando
objetivamente sobre colecionar miniaturas de automóveis die-cast,
como em qualquer outro tema, é difícil dizer quantas pessoas
conheci, quantas amizades fiz, quanta pesquisa foi necessária para
se obter um determinado modelo, ou para ficar por dentro dos novos lançamentos.
Quando
vejo pessoas mais idosas que não têm absolutamente nada para
fazer ao se aposentarem, fico pensando em como devem ser vazias e tristes
estas vidas, sem assuntos, sem desafios, sem maiores objetivos que não
o de esperar complacentemente o tempo passar. Nós, os colecionadores,
teremos sempre alguma coisa para ver e tocar,
pessoas para ouvir e conversar, lugares para visitar e conhecer, histórias
para contar. Não tenha medo de suas coleções, sempre
haverá mais alguém que goste do mesmo assunto, e quando você
descobrir não ser o único, junto com um grande sorriso poderá
estar iniciando uma nova coleção de amigos. Mas enquanto
esta hora não chega, se tiver muita sorte, pode fazer como eu, abrir
antigos álbuns e lembrar o seu passado e o de sua família,
através de uma coleção de antigas fotografias em branco
e preto. Viu só como uma inocente coleção pode até
te fazer chorar?
Nota do DCC Team:
O colecionador Sergio Luis dos Santos é o nosso redator e integrante
essencial da nossa equipe, onde contribui com suas pesquisas sobre o tema
die-cast.
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