|
|
Dicas para se iniciar uma coleção die-cast
(parte I, das escalas)
A.
Soares
Muitas pessoas, entusiasmadas com o nosso trabalho
de divulgação cultural, tem nos perguntado como seria a melhor maneira de se
escolher um tema para se formar uma coleção die-cast. Bem, visando
auxiliá-las, resolvemos editar este pequeno guia de dicas tratando
desta questão.
Assim,
podemos iniciar dizendo que é relativa a escolha do tema para uma
coleção. Mas, deve-se ter em mente, algumas coisas básicas
para a realização de tal empreitada. Temos que saber o que
pretendemos em termos financeiros e culturais, além disso, deve-se
ter certeza do espaço disponível para tal coleção
e do suporte para a conservação da mesma.
Logo, por
ser esta uma questão detalhada, propomos, tratarmos ela em partes.
Nesta primeira
parte, abrangeremos o assunto escala, pois ele nos parece o primordial.
Quando
se quer constituir uma coleção, devemos definir qual ou quais
as escalas que vamos colecionar. A escolha da escala é importante,
pois, normalmente, determina os valores que vamos gastar na compra de cada
modelo. Assim, normalmente pequenos modelos, em escalas menores, têm
preço mais barato que os grandes, embora, devemos alertar, que existem
exceções a esta regra.
Outra coisa
que se deve alertar é o peso cultural da escala, que existe independente
do modelo e da marca que se compra. Para nos situarmos a respeito disso,
vamos traçar algumas considerações sobre este aspecto
cultural.
Como já
dissemos, no início do século XX os modelos eram bastante
anárquicos, e quase sempre, não tinham uma escala definida
(veja na Seção História do Die-cast Hobby, parte I).
Com o avanço das técnicas industriais começou-se a
produzir os modelos die-cast em um tamanho padrão.
Escala 1/43
O primeiro
tamanho padrão foi a escala 1/43. Ela surge motivada por duas razões.
A primeira, consistia na dificuldade de se reproduzir os mecanismos internos,
assim sendo, os modelos tinham que ser pequenos o suficiente para simplificar
a reprodução das partes mais detalhadas. A segunda, baseava-se
no fato de que os modelos em 1/43 eram originalmente produzidos como peças
didáticas para uso militar e de engenharia férrea o que permitiu
a aplicação deste padrão de redução
proporcional com mais facilidade aos modelos die-cast (para saber como
mais detalhes, leia a Seção História do Die-cast Hobby,
parte I).
Logo, a escala 1/43 é a mais
tradicional e clássica das escala die-cast. Ela também pode ser chamada
de escala “O”, nome que talvez, indique uma referência ao termo “ooo” em inglês que significa zero ou vazio, mas, que também
pode ter seu significado adaptado para a idéia de pequeno ou diminuto.
Todavia, uma pesquisa mais apurada revela que as referências alfabéticas
(O, HO, L, etc) para as escalas são uma adaptação
do conceito usado no ferreomodelismo para indicar as bitolas dos trens.
Escala 1/87
O segundo
tamanho padrão foi a escala 1/87. Surgiu da necessidade de se ter
modelos ainda menores, e pelo fato de terem as técnicas de elaboração
de miniaturas se aprimorado. É a famosa escala “HO”, nome que até
hoje é fluente. O “H” representa a palavra, em inglês, half,
que crer dizer metade e o “O” seria o já conhecido ooo. Sendo assim,
a associação destas duas letras, passaria a idéia
de metade da escala “O”. Um curioso fato sobre esta escala, é que
apesar de ser o segundo padrão industrial a surgir, historicamente
falando, ela só se tornou clássica, dentro do universo die-cast,
anos mais tarde, quando a famosa marca Matchbox começou a produzir
modelos que se aproximavam dela (iam de 1/52 à 1/87), com tal esmero,
que finalmente gerou um efeito “classicista” sobre a escala “HO”.
Escala 1/24
O terceiro
padrão foi a escala 1/24. Apareceu pela necessidade de se ter modelos
maiores como uma melhor definição dos mecanismos internos.
Seu desenvolvimento acompanhou o desenvolvimento das técnicas na
manufatura do PVC, plástico normalmente utilizado nos interiores
dos modelos. Foi denominada escala “L”. Esta denominação
vem da abreviação da palavra inglesa large que significa
maior ou grande. Apesar de ter surgido posteriormente a escala “HO”, no
universo die-cast, a escala “L” é considera mais clássica
do que a “HO” pelo motivo descrito acima.
Escala 1/64
Esta é a escala mais adotada pelos iniciantes do
Die-cast Hobby. Quem nunca teve uma miniatura Hot Wheels ou Matchbox? Difundidos
mundialmente pelos seus criadores Lesley e Rodney Smith estes pequenos modelos
nascidos da necessidade de serem do tamanho de suas caixas foram a escola para
muitos colecionadores atuais e, ainda hoje, uma boa forma de se apresentar o
hobby as
crianças e aos iniciantes.
Escala 1/18
Por fim,
existe a escala 1/18. Esta escala, surgida mais recentemente, ainda não
é considera como clássica, mas, cremos estar a caminho de
adquirir tal condição devido a sua atual expansão.
Ela trouxe, para o universo die-cast, um nível de detalhamento,
jamais visto. Nós lançamos aqui a idéia de se batizar
a escala 1/18, como escala “SL”. O “S” indicaria a palavra latina super
e junto com a letra “L” da palavra inglesa large, formariam a idéia
de supergrande ideal para definir a escala.
Existem
ainda outras escalas, como por exemplo, 1/72 ou 1/36 que apesar de serem
clássicas em outros hobbies, não adquiriram esta importância
no que concerne ao Die-cast Hobby.
Bem, sendo
assim, conclui-se que na hora de se começar uma coleção
devemos definir se queremos uma escala com maior ou menor peso cultural.
A opção pela escala “O” ou 1/43 nos levará, por exemplo,
a constituirmos uma coleção mais clássica do que outra
em que se optou por modelos na escala “SL” ou 1/18. Mas, atenção:
este nível de classicismo é exclusivamente relativo a escala.
Existem outros! Como por exemplo, no caso de haver o colecionador escolhido,
independente da escala, modelos antigos quanto a sua data de fabricação.
Finalizando,
acreditamos que ao se escolher uma ou mais das escala descritas acima,
o futuro colecionador estará iniciando uma coleção
consciente da existência do peso cultural dado pelo tamanho dos modelos
colecionados e que lhe trará muito mais satisfação
no desenvolvimento do hobby.
|
|