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Produzindo um carro die-cast (continuação)
S.
L. dos Santos
Após a seleção das cores a serem utilizadas no modelo,
faz-se uma comparação com tabelas industriais como a Munsell,
Pantone ou TOYO. Caso seja preciso, serão produzidas amostras de
cores específicas para a sua reprodução. De
posse de todo o material, faz-se a revisão dos dados coletados e
sua organização, finaliza-se a seleção das
cores. Um “rascunho” é desenhado mostrando à fábrica
que detalhes o modelo deverá ter (as partes móveis, por exemplo)
e quais materiais deverão ser usados, determinando os custos com
o projeto. Estando tudo selecionado e aprovado, o projeto começa
a caminhar.
O primeiro passo é a confecção manual de um modelo
da carroceria. Ela ilustra todos os detalhes exteriores do carro. Verifica-se
qualquer falha no formato ou detalhes, fazendo-se as correções
e/ou adições necessárias. Um modelo da carroceria
têm um custo ao redor de US$ 10,000.00. Na prática pode-se
confeccionar este modelo em qualquer escala, mas quanto maior o tamanho,
melhor o nível de detalhamento.
A GMP, para seus modelos
na escala 1/18 confecciona seus protótipos em 1/12, já a
IXO,
usa a escala 1/21,5 para produzir a sua linha em 1/43.
O protótipo é confeccionado à partir de uma duplicata
do modelo inicial, que será então o “molde”, contendo todas
as características do modelo à ser produzido e utilizado
para a fabricação das formas.
Diversos materiais podem ser
usados para a confecção dos protótipos, atualmente
usa-se um tipo de resina para modelagem, mais dura que a massa para modelagem.Novas
avaliações são feitas com o protótipo, buscando-se
fazer as correções necessárias e a adição
de detalhes ainda nesta fase, inclusive que outras variantes podem ser
obtidas com o modelo original. Qualquer falha não detectada neste
protótipo podem ocasionar correções nos moldes, o
que além de aumentar os custos pode provocar atrasos na produção.
Um protótipo completo, que é feito manualmente com todos
os detalhes que serão vistos nos modelos finalizados, pode chegar
à US$ 50,000.00. Com o avanço de softwares como o CAD
e equipamentos especializados como o EDM (Electrical Discharge Machine)
é certo supor que em um futuro próximo não mais será
necessária a construção dos protótipos.
Faz-se também a escolha das cores e diferentes texturas dos componentes,
e uma vez mais extremo cuidado é necessário, pois um
erro na escolha de uma textura significará um molde que deverá
ser retificado ou mesmo a confecção de um novo.O
protótipo será então completamente desmontado para
que todas as partes sejam passadas pelo pantógrafo, que fará
a redução do protótipo para a escala desejada, dando
início à produção dos moldes em aço.
Todas as partes são medidas com precisão pois não
podem haver falhas no momento em que os componentes do modelo forem montados. Os
moldes, em aço de grande dureza, permitem a fabricação
de centenas de modelos. Diferentes moldes são produzidos para as
partes em metal, plástico ABS, borracha em PVC e transparências,
assim os componentes são agrupados no molde específico de
cada material. A “borracha” em PVC é de fato um plástico
que substitui com muitas vantagens a borracha, utilizada nos “velhos tempos”,
mas que comumente se deteriora. Ainda assim, o PVC não está
imune à danos provocados por reações químicas
e temperatura. A construção dos moldes é a fase
mais cara de todo o projeto, podendo chegar à US$ 225,000.00.
A primeira tiragem é utilizada para as avaliações
iniciais, onde quaisquer falhas devem ser observadas, analisadas e corrigidas.
Quanto melhor for o processo de pesquisa e documentação certamente
menos problemas serão encontrados nos modelos finalizados. Nesta
fase, se forem encontrados erros que não possam ser corrigidos,
o molde terá de ser modificado ou reconstruído.
Após
as correções necessárias uma segunda tiragem é feita para os ajustes
finais.Verifica-se também os modelos para os detalhes interiores que serão
produzidos em decalque ou filme adesivado, como os diferentes mostradores e
instrumentos, etiquetas nos motores, marcações de competição, emblemas etc...
Estando tudo correto com os moldes, o aço é temperado (endurecido) ficando
pronto para a produção em grande escala. Existem outros tipos de moldes,
como os em borracha natural e orgânica, de forma redonda, muito utilizados na
produção de figuras e pequenas peças. A forma, após fechada, é girada em uma
centrífuga enquanto a liga metálica é despejada quente em um orifício no centro
do molde.
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