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História do Die-cast Hobby (parte II)
A.
Soares *
Décadas de 50 e 60
Este bidecênio, foi marcado pelo desenvolvimento a nível mundial
do Die-cast Hobby. Nos anos 50, surgiram os “promos”, brindes promocionais
de empresas e companhias, que presenteavam seus clientes com miniaturas
que estampavam propagandas. A tecnologia para o uso do plástico
é desenvolvida o que permite um avanço na confecção
dos interiores dos modelos. Neste tempo a Dinky dilatou
seu catálogo e ofereceu, como exemplo de autos americanos, modelos
da Ford, Chrysler e Studebaker, e de europeus, como Citroën, Simca
e Peugeot. Já a Solido, fabricou modelos da Ford, Fiat e
Studebaker. Surgem as marcas CIJ e a Matchbox. Esta segunda é criada
para substituir a Moko, que inicialmente, era a responsável pelas
vendas dos automodelos da Lesney Products. Isto gera um impulso a mais
no Die-cast Hobby.
Durante
os anos 60, consolida-se definitivamente a famosíssima Matchbox
(marca que, como já mencionamos, pertencia originalmente ao fabricante
inglês Lesney Products, e atualmente, pertence à Mattel) e
que ficou eternizada pelos seus pequenos modelos (suas escalas variavam
entre 1/55 e 1/62) de alta qualidade, que vinham dentro de “caixas de fósforos”.
Quem não se lembra do famoso “molejo” da suspensão dos pequenos Matchbox?! Ainda nesta década, a Solido, se tornou um verdadeiro
mito do Die-cast Hobby. Ela introduz na sua linha de montagem os modelos
de alta qualidade, na clássica escala 1:43. Sua influência
do universo die-cast foi tão marcante que grandes colecionadores
como, por exemplo, o escritor francês, Daniel Puiboube, creditaram
aos seus modelos na escala 1:43, importância tal, que foram considerados
como o padrão de miniatura que estabeleceu a era moderna do Die-cast
Hobby. Na segunda metade dos anos 60, foram produzidos, pela Roly Toys,
modelos de carros nacionais que atualmente são raridades valiosas.
Neste tempo também, a Matchbox, Solido e Shuco instalam-se no Brasil,
via Zona Franca de Manaus. Ao final da década começam a surgir
os elementos básicos para a formação da cultura die-cast.
Assim, aparecem clubes, lojas especializadas, revistas etc... Como exemplo
podemos citar a “Revista Quattroruonetine” publicada ao longo de quarenta
anos, especializada em metal automodelismo, ou mais adequadamente, die-cast.
Décadas de 70 e 80
Durante
a década de 70, é reafirmada a importância da escala 1:43 como ideal para os modelistas die-cast e ocorre um grande incentivo
a produção de modelos na escala 1:24, que pela antigüidade
e qualidade de detalhes, passa a compartilhar o título de clássica
com a escala 1:43. Ocorreu também, o deslocamento do polo de principais
fabricantes de modelos die-cast para a Itália. Estabeleceram-se
as especialidades temáticas como ideologia na produção
de miniaturas. Assim, os fabricantes optaram por oferecer no mercado miniaturas
especializadas. Como exemplo, tivemos a Dugu reproduzindo automóveis
clássicos, a Edil Toys, com autos de marcas italianas e Polystil
(anteriormente Politoys), com bólidos de competição
e clássicos europeus. Na segunda metade da década, surge
o embrião da Bburago, a Martoys.
Com a Bburago,
ocorre a terceira grande mudança no universo die-cast. A criação
dos modelos na detalhadíssima escala 1:18, como o já legendário
Rolls Royce Camargue, levou a um “BUM” mundial do Die-cast Hobby. A precisão,
técnica e esmero empregados na elaboração dos modelos, derrubou várias barreiras
populares que freavam o crescimento da popularidade do “colecionismo de carrinhos-de-ferro”. As miniaturas eram
tão bem feitas, que colecionar deixava definitivamente de ser uma
brincadeira de criança. Com isto, a Bburago se tornou no maior fabricante
exclusivamente de metal automodelismo (die-cast). Ao final da década
surge um pólo de concorrência asiático, a Maisto. Ela
foi grande responsável pelo desenvolvimento da escala 1:24, levando
um pouco mais acentuadamente que a Bburago, a precisão existente
nos recentes modelos 1:18 à escala 1:24. Assim, seus modelos 1:24,
lançados na década seguinte, foram verdadeiros primores e
concorrentes fortíssimos aos produzidos pelos italianos.
Os anos
80, primaram pelo aumento da concorrência asiática. Surgiram
inúmeros fabricantes made in China. A Sunnyside é um exemplo.
Esta concorrência, produziu dois efeitos. O primeiro muito negativo,
porque gerou uma crise financeira que fechou vários fabricantes
tradicionais. A Corgi, apesar de sua tradição de trinta anos no mercado, faliu e
se tornou um exemplo disto. O segundo efeito, todavia, não foi ruim para os “hobistas” die-cast. Ele produziu uma baixa
geral nos preços dos modelos, o que gerou a popularização
definitiva do hobby, tornando possível a constituição
de coleções populares (baratas).
Contudo,
aqui no Brasil, os efeitos desta popularização não
puderam ser bem sentidos, pois, a proibição de importações
tornava uma difícil aventura o Die-cast Hobby.
Décadas de 90 à atualidade
Com
a chegada dos anos 90, ocorre à consolidação definitiva dos modelos na escala
1:18. Surgem dezenas de novos fabricantes, muitos exclusivamente produtores de
miniaturas da escala 1:18. Acontece um crescimento das marcas populares e das
mais caras. É a democratização do hobby. Todos as classes de pessoas podem ser “hobistas”. Expande-se a Saico
e Sunnyside. É estabelecida a New-Ray. Alguns antigos fabricantes
voltam a ativa. São criados fabricantes top line como a Minichamps,
que foi responsável por dar aos modelos 1:43 detalhes jamais vistos!
No seu encalço aparece a Vitesse com o mesmo ou superior acabamento
na clássica escala. Surge a UT Models, divisão da Minichamps
especialista em 1:18. As super top line Franklin e Daunbury Mint, dão
um incrível grau de confecção aos seus modelos. A
Auto Art tenta obter grau de qualidade semelhante as Mint e com preços
mais baixos. A Maisto torna-se um conglomerado mundial e o maior fabricante
de miniaturas de ZAMAC (faz também aviões, helicópteros
etc...) e o segundo maior de die-cast. A Matchbox, agora um selo da Mattel,
atinge a marca de mais de 20.000 miniaturas fabricadas e seus pequeninos
modelos também passam a serem tidos como clássicos! A Bburago
exibe o maior catálogo de todos os tempos!
No Brasil,
com a liberação das importações, começa
uma expansão do Die-cast Hobby. Desenbarcam por aqui várias
marcas: populares (ex. Sunnyside e New-Ray), medianas (ex. Bburago e Maisto)
e top lines (ex. Minichamps e UT Models).
Atualmente,
com a alta diversidade de marcas e modelos die-cast, estima-se que são
produzidos mensalmente cerca de 180 novos modelos. Com isto, os modelistas
die-cast vivem bom momento, resultado da herança da década
passada, geradora de diversidade, e também, mais recentemente, das
vantagens de acesso obtidas com desenvolvimento da Internet. Assim, podemos
não só ampliar a história do colecionismo die-cast,
como também desenvolvê-la em sua faceta cultural.
Logo, é
com tal intuito, que esta revista apresentou este breve relato, que longe
de ser inédito, pois é uma síntese baseada em diversas
fontes, pretende apenas servir como ferramenta divulgadora.
(*) Baseado no texto
“Linha
do Tempo” do site Mini Motor de José Arnaldo de A. Lopes.
Referências bibliográficas
MILLER, J. 2006 - Metal Toys.
New York, USA. Dorling Kinderley (DK) Edition. 448p.
SEELEY, C.B. 1971 - A History of
Pre-War Automotive Tootsietoys. Part 1 - Historical background, the 1911
Limousine and Model T Fords. Anthique Toy World. Chigago,USA. Dale
Kelley Edition.128p.
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