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História do Die-cast Hobby 03

 

 

 

De brinquedo a réplica - Linha do tempo da tecnologia empregada na confecção dos modelos die-cast

 

A. Soares & S. L. dos Santos

 

Introdução

 

Em um artigo anterior (Linha do Tempo I e II) tratamos o aspecto histórico do universo die-cast. Mas, e o técnico? Como foram e se sucederam as transformações ocorridas nas miniaturas que colecionamos?

 

Assim, para responder estas questões achamos por bem redigirmos um novo artigo ao invés de reeditar o antigo tornando-o de difícil compreensão.  Logo apresentamos aqui resultado de uma pesquisa que muito nos praz, uma vez que é com certeza algo inédito em termos de língua portuguesa. Cremos que nunca foi apresentado ao colecionador die-cast, brasileiro ou português, um relato passo a passo da evolução que, os brinquedos nos primórdios, e as réplicas mais contemporaneamente, tiveram ao longo dos tempos. Sendo assim, convidamos os visitantes a checarem o tal texto, pois, certamente é muito interessante e cultural.

 

Na década de 10 surgem, confeccionado por fundição em formas que eram perdidas com o uso, os primeiros modelos die-cast (ao pé da letra: forma que morre) tridimensionais. Neste período alguns autores, como por exemplo, Judith Miller, denominam os modelos como cast iron por causa da sua composição basicamente, ferro. A princípio tinham as rodas fundidas na miniatura, depois passaram a ser peças móveis.

 

No início da década de 20 os modelos die-cast, ainda concebidos como simples brinquedos, eram feitos de ligas metálicas contendo, principalmente: ferro, estanho e chumbo. O perfil dos modelos era muito simples, uma carroceria com suas rodas, em metal ou madeira fixada por arrebites nas laterais internas ou presa em eixos rudimentares. Na maioria dos modelos o chassi não estava presente ou era parcial. Raramente, havia um interior rústico. Era o tempo dos modelos “cuia”.

 

Nos anos 30, o uso do ZAMAC (liga composta por Zinco, Alumínio, Magnésio e Cobre) proporcionou uma mudança na composição da estrutura dos modelos die-cast. Porém, neste início, tal liga, ainda tinha uma técnica de formulação inexata, e assim, o corpo das miniaturas, por vezes, rachava. Nesta época, a maioria destes brinquedos ganhou um chassi integral e eixos onde as rodas passaram a ser fixadas. As miniaturas começam, com maior freqüência, a ter detalhes como pára-choques, grades de radiador, bancos, faróis, etc, destacados através de pintura. O uso da borracha para utilização como pneus tem início.

 

Nos anos 40 a liga ZAMAC ainda era instável e muitos modelos continuam rachando. Após a guerra, muitos materiais desenvolvidos como tecnologia militar começam a ser aplicados nas industrias civis. Assim, até os modelos die-cast foram beneficiados. Tais brinquedos ganharam o uso de plásticos, ainda rudimentares, com os quais o detalhamento foi aprimorado. Como exemplo disto, surgem os primeiros pilotos para os modelos de carros conversíveis. Desenvolve-se uso combinado das borrachas nos aros de metal para fazer rodas mais reais.

 

Nos anos 50 o uso da liga melhora e os modelos já não racham com tanta freqüência, mas, o dimensionamento (escala) continua impreciso. As miniaturas ainda são um brinquedo. O uso do plástico agora é mais acentuado e os modelos ganham, ao final da década, transparências. Miniaturas de automóveis conversíveis exibem um interior detalhado. Agora não só os pilotos, mas também os volantes, são detalhados em plástico. Os pneus ainda de borracha natural, têm uma pequena melhora com o processo de vulcanização que diminui os casos de derretimento, ou esfacelamento, dessas peças. Surgem as suspensões flexíveis (com molejo).

 

Com a chegada dos anos 60 o tempo de vida útil das formas aumenta com novas técnicas empregadas na fabricação. A formulação mais precisa da liga ZAMAC, resolve o problema de rachaduras nos modelos. Há uma melhora no dimensionamento dos modelos e o erro nas escalas das miniaturas agora é muito menor. Houve um impulso enorme no acabamento das miniaturas. Nesta época, tem início o conceito de réplica para os modelos e o hobby começa a surgir. Nas rodas, os pneus de borracha natural, são gradualmente, substituídos por pneus de borracha artificial, que são menos suscetíveis a problemas estruturais. O uso do PVC, um plástico mais estável, ajudou a definir melhor o interior. Algumas fábricas aplicam detalhamento nunca antes visto, uso de máscaras na pintura de pequenos detalhes, portas e capôs que se abrem, suspensões articuladas, direção móvel, pneus intercambiáveis, etc.

 

Anos 70. Nesta época pouco em termos de novidades acontece. Sofre o die-cast uma diminuição no avanço tecnológico Todavia, as escalas estão definidas e o dimensionamento dos modelos agora é só uma questão de necessidade de acondicionamento. Podemos, ainda, destacar a sistematização do uso de peças plásticas no exterior das miniaturas. O início do melhor esmero na formulação das rodas e pneus e das embalagens para as miniaturas.

 

Anos 80. Está estabelecido o hobby. Inicia-se a distinção entre brinquedo e miniatura colecionável. Com a difusão da detalhadíssima escala 1/18, tem-se retomado o processo de busca da réplica. A precisão para os interiores e detalhes externos lança o uso do “photoetch” nas miniaturas trazendo um enriquecimento na qualidade.

 

Com a chegada dos anos 90 e a aplicação da informática no processo de elaboração das miniaturas, atinge-se uma precisão jamais visa. Os modelos em metal têm assim um esmero, só obtido antes em modelos artesanais. Processos  computadorizados na elaboração dos moldes aliados a fresadoras automáticas, na confecção de formas de uso repetitivo e da pintura em estamparia para a carroceria em substituição parcial ao uso dos decais, trouxeram um alto grau de qualidade ao modelo die-cast.

 

 

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