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De brinquedo a réplica - Linha do tempo da tecnologia empregada
na confecção dos modelos die-cast
A. Soares & S.
L. dos Santos
Introdução
Em um artigo
anterior (Linha do Tempo I e II) tratamos o aspecto histórico do
universo die-cast. Mas, e o técnico? Como foram e se sucederam as transformações
ocorridas nas miniaturas que colecionamos?
Assim,
para responder estas questões achamos por bem redigirmos um novo
artigo ao invés de reeditar o antigo tornando-o de difícil
compreensão. Logo apresentamos aqui resultado de uma pesquisa
que muito nos praz, uma vez que é com certeza algo inédito
em termos de língua portuguesa. Cremos que nunca foi apresentado
ao colecionador die-cast, brasileiro ou português, um relato passo
a passo da evolução que, os brinquedos nos primórdios,
e as réplicas mais contemporaneamente, tiveram ao longo dos tempos.
Sendo assim, convidamos os visitantes a checarem o tal texto, pois, certamente
é muito interessante e cultural.
Na década de 10 surgem, confeccionado por fundição
em formas que eram perdidas com o uso, os primeiros modelos die-cast (ao pé da letra:
forma que morre) tridimensionais. Neste período alguns autores,
como por exemplo, Judith Miller, denominam os modelos como cast iron por
causa da sua composição basicamente, ferro. A princípio
tinham as rodas fundidas na miniatura, depois passaram a ser peças
móveis.
No
início da década de 20 os modelos die-cast, ainda concebidos
como simples brinquedos, eram feitos de ligas metálicas contendo,
principalmente: ferro, estanho e chumbo. O perfil dos modelos era muito
simples, uma carroceria com suas rodas, em metal ou madeira fixada por
arrebites nas laterais internas ou presa em eixos rudimentares. Na maioria
dos modelos o chassi não estava presente ou era parcial. Raramente,
havia um interior rústico. Era o tempo dos modelos “cuia”.
Nos anos
30, o uso do ZAMAC (liga composta por Zinco, Alumínio, Magnésio
e Cobre) proporcionou uma mudança na composição da
estrutura dos modelos die-cast. Porém, neste início, tal
liga, ainda tinha uma técnica de formulação inexata,
e assim, o corpo das miniaturas, por vezes, rachava. Nesta época,
a maioria destes brinquedos ganhou um chassi integral e eixos onde as rodas
passaram a ser fixadas. As miniaturas começam, com maior freqüência,
a ter detalhes como pára-choques, grades de radiador, bancos, faróis,
etc, destacados através de pintura. O uso da borracha para utilização
como pneus tem início.
Nos anos 40 a liga ZAMAC ainda era instável e muitos modelos continuam rachando.
Após a guerra, muitos materiais desenvolvidos como tecnologia militar
começam a ser aplicados nas industrias civis. Assim, até
os modelos die-cast foram beneficiados. Tais brinquedos ganharam o uso
de plásticos, ainda rudimentares, com os quais o detalhamento foi
aprimorado. Como exemplo disto, surgem os primeiros pilotos para os modelos
de carros conversíveis. Desenvolve-se uso combinado das borrachas
nos aros de metal para fazer rodas mais reais.
Nos anos
50 o uso da liga melhora e os modelos já não racham com tanta
freqüência, mas, o dimensionamento (escala) continua impreciso.
As miniaturas ainda são um brinquedo. O uso do plástico agora
é mais acentuado e os modelos ganham, ao final da década,
transparências. Miniaturas de automóveis conversíveis
exibem um interior detalhado. Agora não só os pilotos, mas
também os volantes, são detalhados em plástico. Os
pneus ainda de borracha natural, têm uma pequena melhora com o processo
de vulcanização que diminui os casos de derretimento, ou
esfacelamento, dessas peças. Surgem as suspensões flexíveis
(com molejo).
Com a chegada
dos anos 60 o tempo de vida útil das formas aumenta com novas técnicas
empregadas na fabricação. A formulação mais
precisa da liga ZAMAC, resolve o problema de rachaduras nos modelos. Há
uma melhora no dimensionamento dos modelos e o erro nas escalas das miniaturas
agora é muito menor. Houve um impulso enorme no acabamento das miniaturas.
Nesta época, tem início o conceito de réplica para
os modelos e o hobby começa a surgir. Nas rodas, os pneus de borracha
natural, são gradualmente, substituídos por pneus de borracha
artificial, que são menos suscetíveis a problemas estruturais.
O uso do PVC, um plástico mais estável, ajudou a definir
melhor o interior. Algumas fábricas aplicam detalhamento nunca antes
visto, uso de máscaras na pintura de pequenos detalhes, portas e
capôs que se abrem, suspensões articuladas, direção
móvel, pneus intercambiáveis, etc.
Anos 70. Nesta época pouco em termos de novidades
acontece. Sofre o die-cast
uma diminuição no avanço tecnológico Todavia,
as escalas estão definidas e o dimensionamento dos modelos agora
é só uma questão de necessidade de acondicionamento.
Podemos, ainda, destacar a sistematização do uso de peças plásticas no exterior
das miniaturas. O início do melhor esmero na formulação das rodas e pneus e das
embalagens para as miniaturas.
Anos 80.
Está estabelecido o hobby. Inicia-se a distinção entre
brinquedo e miniatura colecionável. Com a difusão da detalhadíssima
escala 1/18, tem-se retomado o processo de busca da réplica. A precisão
para os interiores e detalhes externos lança o uso do “photoetch”
nas miniaturas trazendo um enriquecimento na qualidade.
Com a chegada
dos anos 90 e a aplicação da informática no processo
de elaboração das miniaturas, atinge-se uma precisão
jamais visa. Os modelos em metal têm assim um esmero, só obtido
antes em modelos artesanais. Processos computadorizados na elaboração
dos moldes aliados a fresadoras automáticas, na confecção
de formas de uso repetitivo e da pintura em estamparia para a carroceria
em substituição parcial ao uso dos decais, trouxeram um alto
grau de qualidade ao modelo die-cast.
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