Roly Toys
A. Soares, R.
Tumminelli & S. L. dos Santos

Fundada em 1965, no Rio de Janeiro, foi a primeira
marca die-cast genuinamente
nacional.
A Roly
Toys foi pensada e estabelecida graças ao empenho de dois homens.
O fundador da empresa e seu responsável direto foi o Sr. Maurício
Nhuch. Com experiência no ramo (trabalhou na fábrica de kits
da A. Kikoler), formou uma brilhante parceria com o Sr. David Kupermann,
numa divisão de trabalho em que Kupermann era encarregado de toda
a parte técnica e Nhuch da parte de vendas. Assim sendo, Kupermann
era o técnico responsável pelos projetos dos moldes. Outro
nome da empresa foi funcionário Sr. Kurt Aldof Hamberger. Hamberger,
ou mais conhecidamente Kurt, era o responsável pelo polimento,
ou seja, dava o acabamento nas peças projetadas por Kupermann.
Nos poucos
anos em que a Roly Toys teve uma linha própria, até o início
da década de 70, com o surgimento dos Matchbox Superfast, produziram-se
09 miniaturas diferentes, adotando o sistema da famosa Matchbox, ou seja,
reduzindo os modelos de modo a caberem em uma “pequena caixa de fósforos”.
Um antigo
folheto produzido pela Roly Toys e compilado pelo colecionador Antônio
Destro Jr., trazia a seguinte listagem:
N1 Willys Berlineta/Willys de Corrida
22;
N2 DKW Vemaget/Vemaget DNER/Vemaget
Bombeiro;
N3 VW Kombi / Kombi Correio /Kombi
Ambulância;
N4 Scania Vabis;
N5 VW Sedan 1200 (FUSCA);
N6 Willys Jeep;
N7 Caminhão Mercedes-Benz
Tanque - (Esso ou Texaco).
Um fato
muito curioso para o colecionador é a variedade de acabamentos com
que estes modelos foram produzidos. Alguns inclusive contaram com cores
metálicas. A de se destacar também que, com a exceção
dos caminhões, todos os carros contavam com interiores muito bem
feitos e transparências. Sabe-se que as tintas usadas não
possuíam a composição correta para que elas
aderissem no ZAMAC e “sobrevivessem” ao manuseio, o que foi corrigido quando
a Roly Toys passou a fabricar os modelos Matchbox no Brasil.
Estes modelos
não tinham uma padronização em suas cores, algumas
variações de pintura são interessantes de se mencionar:
O Willys
Interlagos de corrida, reproduzia o carro da Equipe Oficial de Fábrica
da Willys Overland. Sua cor era amarelo vivo, cortado por uma faixa
central, do pára-choque dianteiro ao traseiro, na cor verde. O número
22 na cor preta sobre um disco branco, era aplicado em ambas as portas,
sobre o capô dianteiro no lado esquerdo e sobre a capota.
Uma versão
da DKW Vemaget era bicolor (tipo “saia e blusa”), prêta com a capota
em branco. Poderia ser a versão do DNER? Nas únicas imagens
que dispomos, não existem quaisquer emblemas, ao contrário
da versão Bombeiro da Kombi.
O caminhão Scania Vabis pode ser encontrado tanto monocromático como bi-cromático,
cabine e chassis em uma cor e a caçamba em outra. Duas combinações
conhecidas são cabine/chassis em vermelho com a caçamba amarela
e cabine/chassis verde com a caçamba vermelha.
É
curioso notar que na lista acima, não consta o Tanque Centurion,
que era uma cópia de um modelo Matchbox. Acreditamos mesmo que este
modelo não tenha recebido uma numeração. Teria o caminhão
Scania-Vabis sido produzido com duas numerações? Conhecemos
os modelos marcados com o número 11 e na listagem ele seria o 4.
Uma variação
muito interessante na linha da Roly Toys, que nos permite afirmar que a
produção foi mantida até a chegada da linha Superfast
da Matchbox é o Karmann-Ghia conversível, número 9
da coleção, que, teve seu chassis e rodas modificadas, recebendo
o nome “Bólidos Roly Toys”. Cremos que esta variante esteja entre
as mais raras de se encontrar.
Haviam
diferentes métodos para o fechamento das miniaturas, lingüetas de
encaixe, como a Kombi, rebite e lingueta de encaixe usados no DKW e apenas
com rebites, que foi a forma mais utilizada.
É
importante estabelecer que 6 desses modelos, os automóveis
(VW Sedan 1200, VW Karman Ghia, DKV Vemagete, Willys Interlagos/Berlineta,
Willys Jeep e Ford Camaro) beiravam a escala 1/64, como os autos da Matchbox.
Já as três outras miniaturas, caminhões Mercedes-Benz
Tanque, Scania-Vabis Basculante e Tanque Centurion tinham uma redução
maior. Os dois primeiros aparentavam ser próximos da escala 1/87
enquanto o tanque é, com certeza, feito em uma escala menor ainda!
Estas belas
miniaturas conferem a classificação de mediana para a apuração
técnica dos modelos da Roly Toys, o que é um feito de destaque
para uma industria nacional operando nos anos 60. A partir de 1967, com
o aumento da demanda, a Roly Toys optou por importar os carros Matchbox,
pois com sua estrutura e quadro funcional era impossível atender
a demanda de novos modelos com a quantidade e velocidades necessárias.
Mais tarde, com o aumento dos tributos alfandegários, a Roly Toys
passou à produzir em Manaus os Matchbox, encerrando a produção
de seus modelos próprios.
Em uma conversa animada, com seus representantes, durante o 1º Salão de Plastimodelismo
da AABB, descobrimos algumas histórias curiosas:
Para nossa surpresa nos disse
que nunca a Roly Toys produziu protótipos, sendo o molde confeccionado
diretamente dos desenhos com as medições. Isso nos causou
espanto de fato, pois não conseguimos imaginar como se podia fazer
esta operação sem um modelo. Lembrem-se que estamos nos anos
60 do século passado, e a informática ainda engatinhava,
nada de programas de desenho e equipamentos automatizados.
A injeção do ZAMAC
nas formas era uma operação totalmente manual, ele explicou-nos
que o molde era fechado, digamos, como se fosse uma sanduicheira. Para
as carrocerias, apenas um molde em cada máquina, mas para os chassis,
bem mais simples, uma única forma produzia os diferentes modelos
ao mesmo tempo.
As histórias mais engraçadas
sem dúvida, foram as aventuras para se medir alguns modelos, com por
exemplo, o “Caso Karmann-Ghia”. Tão logo
o carro foi lançado, o pessoal da empresa foi até um revenda Volkswagen,
e munidos de fitas, começaram a medir todos os pormenores um Karmann-Ghia
recém chegado. Após alguns momentos de hesitação,
foram indagados sobre seus atos. Ao explicarem as suas intenções,
foram prontamente convidados e se retirarem da loja, sendo informados de que era um segredo
quaisquer informações sobre este lançamento.
Já no caso do Ford Galaxie,
ocorreu exatamente o contrário. A revenda Ford que recebeu o primeiro
modelo no Rio de Janeiro avisou sobre a chegada do carro. Assim, foram
todos até lá e seguiram para o Aterro do Flamengo, onde com
toda a calma puderam fazer todas as medições necessárias.
Um modelo que não entrou
na fase de produção e vendas, foi o Chevrolet Camaro. Ficamos
muito curiosos pela escolha de um carro que não era produzido no
Brasil, e então mais um segredo foi confidenciado. O Chevrolet Camaro
era uma paixão do Sr. Mauríco Nhuc...
Pela baixa
tiragem que tiveram, estes modelos são muito difíceis de
se achar. São valorizados pelos colecionadores que sabem de sua
importância histórica, sendo rivalizados apenas pelo Chevrolet
Opala da Solido do Brasil (Brosol), mas ainda pouco conhecidos no mercado
internacional.
Por último,
outra importante faceta dos modelos da Roly Toys, é o valor cultural
que eles possuem, pois estão entre as poucas marcas que retratam
ou retrataram, modelos de automóveis da industria nacional.
Nós
da Die-Cast Cult Virtual Magazine gostaríamos
muito de receber imagens de modelos Roly Toys, para que possamos aumentar
o nosso acervo e poder ilustrar o maior número possível de
variações em cores e versões.
Abaixo estão expostos os modelos
Roly Toys.




